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Terça-feira, 06/11/2007

Município do Riachão do Japuí

Visita à Região Sizaleira da Chapada do Japuí

Hoje, em nossa visita de campo, fomos conhecer os projetos empreendidos pelo MOC (Movimento de Organização Comunitária) em parceria com o UNICEF.

Visitamos a residência de famílias apoiadas pelo MOC com o projeto “Um milhão de cisternas”, que servem para armazenar a água do período de chuvas que abastecem as casas no período de estiagem. Nestas vilas, localizadas na região do semi-árido, as casas ficam muito distantes e as famílias precisavam caminhar muitos quilômetros com latas de água na cabeça. Antes do projeto, iam até o caminhão pipa, recolhiam a água e voltavam.

Estivemos na casa da Dona Célia, trabalhadora rural que já possui uma cisterna instalada em sua casa. A residência é feita de pau-a-pique e no quintal pudemos ver perus e plantas secas, já que a água da cisterna é utilizada somente para beber e cozinhar. Solidária, ela oferece água a qualquer vizinho que esteja em apuros. Dona Célia tem quatro filhos, dos quais dois estão em idade escolar, e por tê-los matriculado se beneficia do PETI – Programa de Erradicação do Trabalho Infantil. Eles participam também da jornada ampliada, com atividades do calendário escolar na parte da manhã e atividades extras como o “Baú de Leitura”, à tarde.

Nossa segunda visita foi à casa da D. Maria Célia, que impressionou a todos com seu empreendedorismo. Ela participa do programa “Cabra-Escola”, no qual cada família, com filhos matriculados na escola, ganha cabras para criar. D. Célia ganhou seis cabras e em nove anos as reproduziu e vendeu 25. Agora têm 15 que pastam no quintal de sua antiga casa, transformada em uma pequena propriedade rural onde também planta cebola, sisal e mandacaru para a alimentação das cabras.

A cabra é um dos poucos animais resistentes à estiagem. Bois e vacas acabam morrendo e as cabras conseguem se alimentar de cactos, babosa e outras vegetações típicas da região do semi-árido.

Em seguida fomos visitar o Projeto de Educação Contextualizada, que capacita os professores para a educação contextualizada, com apoio do UNICEF. O objetivo é trabalhar com o aluno dentro de sua própria realidade, o que contribui para uma educação de qualidade.

Visitamos a Escola Municipal João Manoel da Silva para conhecer na prática o projeto. Vimos o programa de alfabetização e acompanhamos a leitura dos alunos que, embora com seis ou sete anos, liam com facilidade e compreendiam tudo.
IPERBA Instituto Perinatal da Bahia

O UNICEF patrocina este hospital através da designação Hospital Amigo das Crianças. Para ser considerado como tal, um hospital deve incorporar uma lista de protocolos destinados a ajudar a salvar e a melhorar a vida das crianças. Esses itens incluem a promoção da amamentação materna exclusiva, incluindo treinamento para o pessoal para ajudar as mães; o programa “mãe canguru”, que encoraja a mãe a carregar os bebês a fim de regular a temperatura corporal dos mesmos, especialmente no caso de prematuros; acompanhamento e apoio para casos de gravidez de risco e bebês prematuros. O UNICEF ajudou a desenvolver esta lista com base em estudos, levantamentos e ampla experiência em outros países.

O hospital tinha um aspecto alegre e constatamos que os médicos trabalhavam em um ambiente bastante amigável. Eles estavam prontos a ajudar, apesar de mencionarem todas as dificuldades que os hospitais públicos enfrentam no Brasil, fazendo referência a muitos outros municípios na Bahia. Observamos muitos pôsteres de atrizes brasileiras famosas nas paredes, apoiando a campanha de amamentação.

Pudemos comprovar como este hospital cuida bem das crianças. Testemunhamos a primeira amamentação e vimos o quarto aconchegante onde as mães em situação de risco aguardam para o parto. Tem-se uma sensação de confiança em dar à luz nesse hospital, visto que ali as mães são muito bem cuidadas.

Banco de Leite: a equipe do hospital está bastante entusiasmada com a abertura de um novo banco de leite, cuja inauguração está prevista para dezembro. Ele irá coletar doações de leite materno para fornecer a bebês cujas mães não podem amamentar. Nossa amiga Sarah, do UNICEF, emocionou-se bastante ao deixar nos EUA sua filha de 8 meses, que ainda está sendo amamentada, para fazer esta viagem. Ela na verdade desejava fazer a primeira doação do seu próprio leite, porém o banco ainda não estava funcionando.